Meu Testemunho.

20 anos pós GBM, completo este ano.

Lembro sempre do dia quando recebi o resultado exame, o médico é até hoje nosso amigo , tratou dos meus pais , de mim e trata de minha irmã. Nunca tinha ouvido este nome Glioblastoma Multiforme-GBM, falou bem claro sobre a gravidade do tumor e me indicou um grande centro para operar, assim o fiz. No meu testemunho tem mais detalhes.

O que aprendi nestes anos recebendo comunicado de pessoas que acessam meu Testemunho é que não muda as abordagens dos médicos , dizem sempre ( como foi dito a mim aliás o Médico esqueceu que o doente era eu) falava direto com Tânia ..." avise a família que este tumor não tem cura, operando ou não é no máximo 3 a 6 meses de sobrevida ainda com seqüelas." , esta foi a sentença do médico. Más como entreguei minha vida a Deus, a sentença Dele foi a VIDA.

EU VIM PELA DOR !

“Tem muitas maneiras de você ir ao encontro de Jesus. Pela graça, pela fé ou pela dor...” A pior maneira.

Após sair do consultório médico com a sentença de "morte" ,elevei meus olhos para o céus falei a Deus... "morro de um tropicão* no chão , más deste tumor não morro", mal sabia eu que neste momento profetizei minha cura. *E o verbo é mesmo tropicar, que significa tropicões repetidos em buracos. Tropeçar é dar topada com o pé.

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Não é só um Testemunho, na realidade fui acrescentando fatos que ocorreram na vida desde 1999, mostrando o outro lado da vida  pós GBM, muita FÉ e de agradecimentos. Hoje eu sei que tenho mostrar as pessoas que me entram em contato comigo por diversos meios de comunicações de hoje, que enquanto ha vida temos que ter esperanças. Deus é vida.

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DEUS SE AGRADA DE SEU TESTEMUNHO

Salmos 119 - 129 : "Maravilhosos são os teus testemunhos, por isso a minha alma os guarda"

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Más temos que ter muita FÉ , porque Jesus realiza os mesmos milagres como a 2019 anos atrás , temos que fazer o natural dos homens que são os Médicos, tratamentos, medicações, pois foi dado a eles dos céus a condições de poder com seus meios ajudar na cura de doenças, é o natural dos homens. Más o sobrenatural da cura o milagre só Deus tem este poder , GBM é um tumor maligno e para lidar com o " maligno" só com Deus.

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Agradeço primeiro da Deus, em especial minha esposa Tânia, Jadson meu filho, que passaram tudo juntos comigo, nunca perdendo a Fé e a esperança. E inúmeros parentes , amigos, Pr. Isaias ( Igreja atista da Paz ) que foi o 1º Pastor que foi na minha casa orar e depois da 2ª cirurgia, tornei membro da IBPAZ. Ao Irmão Ciro Martins que me levou para a Igreja, a amizade é uns dos bens mais preciosos deste mundo.

OS SINTOMAS

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Os sinais e sintomas iniciais são inespecíficos e podem incluir cefaleia, alterações de personalidade, náuseas e sintomas similares aos de um acidente vascular cerebral , espasmos musculares nas mãos ( é o que me aconteceu e por isso procurei um médico). O agravamento dos sintomas é geralmente rápida, podendo evoluir para um quadro de inconsciência.

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Em dezembro de 98, vim passar o final do ano em Cuiabá_ MT , depois de 8 anos... estava feliz com a viagem... Tânia pode rever os parentes e amigos, eu também. aproveitamos a passagem do ano, 30 de dezembro senti que o meu pé e mão direita às vezes ficavam “dormentes”, pensamos cansaço da viagem e mais notei que não aquentava mais tomar uma lata de cerveja. Voltamos para nossa casa em MG, determinado dia de Janeiro de 1999, a minha mão direita começou a dar uns espasmos, chegando a pular mesmo sendo segurada, estes espasmos foi aumentando com muita freqüência , um dia foi entortando para trás, que pensamos que era AVC (derrame) . Fui a um médico ortopedista, ele disse que era LER (doença ocupacional). Fiz tudo quanto era exame, inclusive de hanseníase. Nada, tudo negativo. Procurei outros especialistas, mas nada era descoberto. Em março pensando que era problemas musculares fiz uma 'Eletro miografia" e nada, então o médico de posse de dezenas de exames disse ," para mim é problema neurológico"

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Em março procurei um Neurologista ( médico na época que cuidava meus pais ( Dr. Luiz Antônio) e até hoje minha irmã trata com ele, ele determinou fazer uma tomografia desconfiou que os sintomas fossem também de fundo neurológico.

Fizemos a Tomografia, como já tinha levado meu pai diversas vezes, notei que a demorava muito, passou mais tempo e consegui ver o Dr. Luiz Antônio entrar na sala onde fica o computador ( monitor) das imagens , conversando com um outro médico , indicando na tela do monitor, aí entra a enfermeira e fala " vamos repetir o exame , mais é rotina" , me preocupei na hora... aí tem coisa.

Era para Tânia ir comigo no outro dia para levar os exames para o Dr. Luiz , passei na Clinica peguei a Tomografia, abri e vi uma mancha branca uniforme no meu cérebro, como se dizem "gelei".

Olhou os negativos da tomografia, detalhadamente... vi uma comoção quando se dirigiu a mim... Joãozinho ( todo mundo me chamava de Donizete, só meus pais usavam o primeiro nome) infelizmente tenho uma notícia muito triste para todos nós... não gostaria de estar falando deste fato com ninguém, muito menos com você, os exames indicam que você tem um tumor cerebral muito grave , de nome Glioblastoma Multiforme.

Parecia mentira que eu estava ouvindo, aquele momento parou...nem ouvia direito a voz do médico... sai fora de mim...não acreditava...logo comigo...ainda até hoje foi o pior momento da minha vida.

... continuou, vamos fazer uma ressonância só para confirmar, depois vamos procurar um lugar para você operar, aqui não temos condições, mas não se preocupe, chame a Tânia e a Cidinha (minha irmã) vamos cuidar de tudo, eram 10 hs da manhã , fui para casa e ao chegar Tânia esperava para ir ao médico comigo , eu falei “já estive lá e ele falou que estou com um tumor maligno no cérebro, o Dr. quer falar com você e a Cida" .

Só trocamos um olhar cheio de espanto e cheio de temor , já com lágrimas sem dizer nada ela foi, até hoje não sei como fui dirigindo para casa, não me lembro como passei aquele dia... foi como não existisse.

No outro dia fomos à outra cidade fazer uma ressonância magnética, que constatou tumor Glioblastoma Multiforme ou GBM, eu tinha um câncer cerebral ( estava tão "fora do ar" ) que não pesquisei no Google sobre este tumor. Aquele diagnóstico foi sinistro, fatal, que não pensava em nada ... não acordava daquele “pesadelo”. A Tânia me levando de carro para fazer outros exames já para a cirurgia , parecia um filme, como que eu estivisse todo amarrado, inerte, sendo para a levado a uma guilhotina, já olhava as pessoas e os lugares já me despedindo,era o fim, calados, pensativos e com medo, não pensava em nada , nem conseguia rezar e pedir ajuda aos santos , a Deus , na época eu era católico.

QUANDO A VIDA FAZ UMA CURVA

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Fui encaminhado para Hospital Felício Rocho em Belo Horizonte, graças a um Deputado muito amigo nosso arrumou o que era melhor para nós. Logo que eu e minha esposa chegamos, procuramos o médico indicado, examinou os negativos, por um instante aquela sala foi silencio total, ele foi direto ao resultado, sem rodeios falou:

“O senhor é portador de um tumor de maior malignidade que existe no cérebro, conhecido por GLIOBLASTOMA MULTIFORME - GBM (como levei anos para falar este nome direito) e continuou... é câncer cerebral, dos 80 tipos de tumor este é o pior. Com certeza este que você tem está é de ultimo grau o IV , continuou, até hoje não tenho conhecimento que o portador deste tumor vivo mais de 9 meses, e as estatísticas confirmam isto, a medicina sabe pouco sobre este tipo de câncer”.

E como se eu não estivesse presente, virou para minha esposa, e foi ainda mais fatalista:

"Infelizmente, seu marido não tem mais que um ano de vida. Não existem na medicina estudos que portadores desse tumor sobrevivem, um pouco mais 9 meses em média ,mesmo assim são dados imprecisos. Optando por não operar, terá a sobrevida não mais de 6 meses a 9 meses, se operar a possibilidade de ficar com seqüelas permanentes é muito grande, já avisa a família que pra esperar por qualquer resultado, bom ou ruim! Vamos fazer o possível, temos todos os aparelhos para este caso”.

Pensamos que tudo acabara ali, "eu por um instante morri” , mas nós pensamos na vida em nosso filho e resolvemos lutar até o fim. Conhecíamos ainda aquele Deus que considerávamos culpado de tudo, “logo eu, por quer ?" questionávamos o motivo de sentença tão dura em minha vida.

Saindo da consulta, Tânia foi um ponto telefônico (olherão) para ligar para minha irmã Cida para dar notícias, era já ao entardecer, Belo Horizonte estava sem uma nuvem no céu, sol se pondo e por um momento pude em meses ver como era bonito o sol se escondendo entre os Edifícios, nos últimos raios dele, sentado no meio na calçada , levantei ... e olhei para aquele momento único ( pois cada por de sol, nunca é igual ) ...

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Olhei para sol e falei a Deus... "Deus eu morro de um tropicão ( tropeço) no chão , más deste tumor não morro" em nome de Jesus ...

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Com aquele ato feito com muita Fé, mal sabia eu que estava profetizando minha vitória, minha cura e orei um Pai nosso, chorei de alegria por aqueles minutos que estive com Deus e fiquei sem medo do ia enfrentar, más não seria mais sozinho, Deus estava do meu lado.

Voltamos a Três Corações eu via a Tânia contando detalhes para minha irmã , falando baixinho e eu ali parado no tempo , pensava como ia ser a vida da Tânia e do Jadson pós minha morte , já não pensava em mim , pai e mãe já tinha passado por 2 AVCs cada um, escondemos deles o se passava...

Eu me sentia “aéreo”, todos me olhavam já diferente, com pena... a família eu sei que choravam escondidas... à noite...e rezavam...terços, promessas...santos.... e eu esperando pra ver....não pensava, não tinha planos, parei no tempo, dei um "stop" naquele momento, minha vida já estava entregue a Deus.

Então fomos para operar (em Belo Horizonte) sem que meus pais estivessem cientes da gravidade do tumor, umas poucas pessoas muitas chegadas tomaram conhecimento do meu caso, devido a circunstancias só eu e Tânia viajamos , a palavra câncer proibida era sinal da morte.

A CIRURGIA

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Entramos no Hospital Felício Rocho ás 21:00 hs do dia 21/04/1999 , estava tranqüilo e tinha a certeza de que tudo correria bem. Haviam pessoas que estavam fazendo correntes de orações, enfermeira deu as últimas instruções e medicamentos e avisou as 06:00 hs você vai para a cirurgia. Sai na porta do apartamento, para quem não conhece o Hospital , ele é muito grande, corredores extensos, 3 andares, uma quadra inteira, notei que no quarto ao lado pessoas choravam baixinho e uma Enfermeira entrou apressada, fui olhar e era uma senhora que acabara de falecer, só vi Tânia me puxando, vamos dormir.

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Dia 22 de abril de 1999, 05:30 hs estava pronto , ouvia o barulho das macas nos corredores do hospital, nunca tinha passado uma noite em um Hospital, o corredor era longo e a maca demorava pra chegar, cada emendas dos pisos que a maca ela ia passando o barulho das rodas, entrava em harmonia com o "bater" do meu coração... o coração disparava e a maca vindo, eu sentado na cadeira, haaa esta passou , não era a minha . Aquele movimento de macas, parecia que eu estava na rua e a maca era os ônibus , todo instante vinha uma , aquela falação, choro no quarto ao lado a pessoa que estava viva a noite e agora estava morta, olhava para Tânia procurando ser forte “dizia tudo vai dar certo”, sabia que ela estava também muito nervosa, choro contido más perto de mim nunca chorou sempre serena, eu sabia que ela chorava nas caladas da noite, no banheiro, devido às condições de meus pais ( que já falei , minha única irmã Cida ficou com eles) Tânia estava sozinha ... e com Deus.

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Notei que um silêncio se fez , e uma maca com seu barulho muito diferente e cadenciado “piso a piso” vinha lentamente, não ouvi mais nada... só o bater acelerado do meu coração, por segundos “voei pelo espaço”, quis ser um pássaro e fugir daquele lugar... e a marca parou em frente a minha porta e uma enfermeira, morena, forte e muito sorridente falou... “ Sr. João, seu táxi chegou” , eu lá fui para uma viagem que eu não sabia como seria e nem se tinha volta, olhos lacrimejando e sorriso forçado e tive medo , Tânia me abraçou ... um leve beijo ... olhos num infinito incerto ... mistura de pânico , medo e Fé... e fui sendo conduzido pela primeira vez num maca olhando para o teto deixando as luzes dizerem algo e orava.

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As 06:00 hs entrei na sala cirúrgica, aquele cerimonial todo de preparação, cabeça sendo raspada, os médicos todos se mostrando como se fosse uma coisa simples aquele evento, rindo, brincando comigo, o “tilintar” da preparação dos instrumentos como se fosse num jantar, como se fosse as enfermeiras preparando a mesa para um banquete, nesse caso o prato do dia era eu. Os médicos preparando os instrumentos eletrônicos, vídeos, monitoração, meus braços sendo amarrados em forma de cruz, lembrei de Jesus e sendo anestesiado orei Pai Nosso e apaguei.

Depois de 6 horas terminou, mais uma hora para recompor, cirurgia correu muito bem, fiquei dois dias na UTI. Quando acordei, todas as minhas funções vitais estavam perfeitas e sem nenhuma seqüela na parte motora, houve retirado total do tumor. Na UTI imóvel pelos aparelhos, conseguia ver os outros pacientes, uns em coma total, outros paralisados precisando de tudo, uns gemia, outros gritando, nem morfina tirava a dor, câncer no ossos, acidentados, o que estava do meu lado, parecia morto, a enfermeira toda hora tirava líquidos do pulmão, limpava-o com muito carinho, conversava com ele, chamando para vida... ai eu vi tamanha dedicação, essas enfermeiras eram os Anjos do Senhor; cuidando de pessoas que dali só restava a morte...eu ligado a dezenas de aparelhos, o único paciente lúcido daquele lugar tentava pensar o que ia ser do futuro, não conseguia eu ali estático, soro e medicação e aparelhos para todos os lados...dois dias que a minha vida inteira passava em minha como filme, sem saber se eu haveria ter condição para viver os meses restantes.

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"Um alerta importante, após a cirurgia a todos que passar por ela"

Quando sai da UTI eu e Tânia ficamos num apartamento junto com outro paciente que ia operar do coração ... e a mulher dele , fizemos logo amizade estava muito feliz e o companheiro cooperava para isto pois ele era falante e muito alegre demos muita risada ... lá meia noite comecei a falar enrolado a perder os sentidos ... passei muito mal e o médicos quando chegaram logo colocaram numa maca e o outro avisando a sala de ressonância o Hospital era muito grande, como já falei.

Viram que eu não ia conseguir chegar do outro lado e foram para outra ala que atendia na parte do dia, estava toda com meia luz , igual um filme de terror , quase tudo no escuro só uma luz no fim de um extenso corredor , e eles empurrando a maca... eu quase me apagando, vi o desespero da Tânia e também a preocupação dos médicos , um deles procurando me manter consciente me chamava a cada instantes...

Entramos para sala de exame e ainda deu tempo de olhar para a Tânia, já com olhos lacrimejando num corredor sinistro, pouca luz, sozinha procurando um banco para sentar, até hoje ela fala que foi o pior momento que passou, ela ficou mais de 3 horas em corredor semi – escuro, num silencio e orando, sem ninguém para dar uma notícia .

Na realidade depois de horas sendo monitorado dentro da máquina de RM e com medicações o cérebro começou a ficar menos inchado, voltei para o apartamento já era dia. O que aconteceu é óbvio, a alegria da cirurgia bem sucedida excedi nas conversas, nas emoções ... quase colocamos tudo a perder, a região do tumor inchou .

Passados oito dias fui para casa, um mês depois comecei a radioterapia. Foram 35 sessões desagradáveis sintomas (dores de cabeça, cansaço, fraquezas, tonturas e mal estar) fiquei meses sem cabelo. Eu sendo levados todos os dias por Tânia ao hospital, não pensava em nada, não tinha sonhos, no momento nem podia saber quanto tempo eu viver. Por diversas vezes via os médicos conversando com ela a distância falando sobre o meu caso e lhe prevenindo , "olha este tumor é fatal , na medicina as estadísticas de sobre vida não passa de 12 a 15 meses , segundo dados mundiais e sentado na cadeira no corredor do Hospital a distancia deles e seu olhar dela se cruzava com meu , os dois com mesmo sentimento de desespero e na volta para casa sem dizer nada um para o outro, neste silêncio mórbido ela pensava na vida como seria ... eu nem pensava. Sem data e condições para trabalhar e em tratamento, fui vendendo tudo o que me restava.

Passados oito dias fui para casa, um mês depois comecei a radioterapia. Foram 35 sessões desagradáveis sintomas (dores de cabeça, cansaço, fraquezas, tonturas e mal estar) fiquei meses sem cabelo. Eu sendo levados todos os dias por Tânia ao hospital, não pensava em nada, não tinha sonhos, no momento nem podia saber quanto tempo eu viver. Por diversas vezes via os médicos conversando com ela a distância falando sobre o meu caso e lhe prevenindo , "olha este tumor é fatal , na medicina as estadísticas de sobre vida não passa de 12 a 15 meses , segundo dados mundiais e sentado na cadeira no corredor do Hospital a distancia deles e seu olhar dela se cruzava com meu , os dois com mesmo sentimento de desespero e na volta para casa sem dizer nada um para o outro, neste silêncio mórbido ela pensava na vida como seria ... eu nem pensava. Sem data e condições para trabalhar e em tratamento, fui vendendo tudo o que me restava.

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